Quinta-feira, 22 de Outubro de 2020
Luiz Paulo Matias

A empatia imperativa

Publicada em 30/06/20 às 07:35h - 722 visualizações

por Rádio Bandeirantes - Tubarão/SC


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 (Foto: Rádio Bandeirantes - Tubarão/SC)

Hoje, leitoras e leitores, venho por meio desse espaço, onde as palavras em suas estruturas morfológicas e sintáticas denotam minha indigesta conotação. E, como a conversa aqui é sobre educação em sua amplitude em suas mais diversas frações, versaremos a respeito de uma circunstância que mais angustia do que suaviza a inquieta psique dos que usam um pouco da razão.

            Pois bem, leitoras e leitores! Tudo começou quando ouvi que um ‘certo alguém’, de tantos alguéns por aí, entrou em uma loja de refrigeração e alarmado bradou: _ Tenho que usar máscara, pois disseram que agora estão multando! _Agora? Perguntou um interlocutor! _Sim! Agora! Contrapôs o protagonista daquela cena. _Mas, já tínhamos que usar faz tempo! Advertiu uma mulher que ouvia a conversa. _Sim! Mas, agora é obrigado ou seremos multados! Objetou aquele que estava dotado de tudo, menos da coerência que almejamos quando de fala de relações sociais.

Depois de ouvir a encurtada e desatinada narrativa, decidi escrever sobre o ocorrido, arrastando essa discussão ao campo filosófico para melhor aproximar as leitoras e leitores ao escopo deste texto. Immanuel Kant (1724 - 1804), em seu Imperativo categórico, numa crítica da razão prática,aclarou nossas mentes ao escrever uma lei universal fundamentada no Dever. Ou seja, “Aja como se a máxima de tua ação devesse tornar-se, através da tua vontade, uma lei universal",escreveu o famoso filósofo alemão.

Mas, professor, aonde você quer chegar? Simples pelas palavras e complexa pela ação cobiçada, digo que quando Kant escreveu tais ponderações, pensou em ética (ethos) do já referenciado dever. E, mais! Não é um dever porque sou compelido a fazer! Não, leitoras e leitores! Faço, pois é sensato pra mim e para todos! De tal modo, como Kant elucidava, temos o dever de olhar o outro como um fim em si mesmo e não como meio para nossos fins.

Não obstante, para somamos informações, em um país onde já ultrapassamos mais de um milhão e trezentos mil casos e mais de cinquenta e oito mil mortos e em uma cidade – Tubarão -SC que apresenta no dia 30/06/2020,444 casos confirmados, 354 casos curados, 79 em monitoramento, 6 hospitalizados e cinco óbitos , ainda tem de ser adotados comedimentos imperiosos e até extremos, uma vez que alguém se acha no direito de simplesmente fazer, não pela bem coletivo, mas porque é obrigado a fazer por forças externas coercitivas. Faz por obrigação de ordem expressa e temerosa de ser surpreendido por alguma pessoa que lhe terá que mostrar como se faz. E daí, meus caros? Ande foi parar aquele dever Kantiano, lembra?

Pois, bem! Vou ficando por aqui, leitoras e leitores, com uma reflexão do Dever: Enquanto o peso no bolso for maior que na consciência, o valor da grana perdida ao sermos multados será maior que a vida que entrou para o registro de óbitos.

Até a próxima semana!




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