Sexta-feira, 13 de Dezembro de 2019
Amabile Corrêa

Governo brasileiro é alfinetado por Papa Francisco

Publicada em 07/10/19 às 10:06h - 390 visualizações

por Rádio Bandeirantes - Tubarão/SC


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Vatican News  (Foto: Rádio Bandeirantes - Tubarão/SC)

Na missa de abertura do Sínodo da Amazônia celebrada no último domingo (6), no Vaticano. O Papa Francisco condenou as queimadas na Amazônia, denunciou a exploração no território e lamentou a marginalização das comunidades indígenas.

“Quando sem amor nem respeito se devoram povos e culturas, não é fogo de Deus, mas do mundo. [...] O fogo ateado por interesses que destroem, com o que devastou recentemente a Amazônia, não é o do Evangelho”, disse.

O pontífice fez clara alusão ao partidarismo e ao jogo de interesses em torno da região. Apesar de não citar nenhum país, o discurso do papa é uma crítica que se enquadra às medidas tomadas pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) no tocante às questões ambientais e sociais.

"O fogo devorador se alastra quando se quer fazer triunfar apenas as próprias ideias, formar o próprio grupo, queimar as diferenças para homogeneizar tudo e todos", ressaltou.

Um tema que ainda hoje gera controvérsias é a questão da colonização europeia da América Latina. Confirmando que no passado a Igreja também cedeu à lógica de interesses da colonização, iniciada no século XVI, papa Francisco fez um pronunciamento histórico sobre a questão. Da extinção dos povos indígenas ao padroado, que compõem o elenco de assuntos espinhosos que caracterizaram o período, o pontífice "toca na ferida" e reacende o debate. "Quantas vezes houve colonização em vez de evangelização! Deus nos preserve da ganância dos novos colonialismos".

No início de 2019 iniciou-se uma crise diplomática entre o governo brasileiro e o Vaticano. O presidente Jair Bolsonaro (PSL), em fevereiro deste ano, chegou a expressar sua preocupação com a reunião de bispos, analisando que o evento poderia ser um atentado à soberania do país. A própria Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) chegou a mencionar que monitoraria a reunião "com fontes abertas".

Apesar do Vaticano ter reiterado que o sínodo não passa de um evento religioso, alguns temas apresentados pelo instrumentumlaboris, uma espécie de lista com os principais assuntos que serão debatidos durante o sínodo, refletem a preocupação dos bispos com as questões sociais, ambientais e territoriais.




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