Sexta-feira, 13 de Dezembro de 2019
Amabile Corrêa

Papa: noticiar fatos para gerar amizade social

Publicada em 24/09/19 às 15:38h - 433 visualizações

por Amabile Corrêa


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 (Foto: Vatican News)
O Papa Francisco recebeu em audiência, nesta segunda-feira (23/09), na Sala Clementina, no Vaticano, a União Católica da Imprensa Italiana, por ocasião de seu 60º aniversário de fundação.

Francisco encorajou os membros da entidade a levar adiante a missão de ser «uma associação profissional e eclesial que se inspira no serviço às pessoas, no Evangelho e no Magistério da Igreja», conforme escrito em seu Estatuto.

Para renovar sua harmonia com o magistério da Igreja, o Papa convidou a União Católica da Imprensa Italiana “a ser voz da consciência de um jornalismo capaz de distinguir o bem do mal, as escolhas humanas das desumanas”. 

Palavras verdadeiras no meio de tantas palavras vazias

“A comunicação precisa de palavras verdadeiras no meio de tantas palavras vazias. Nisso vocês têm uma grande responsabilidade: as suas palavras contam o mundo e o modelam, as suas histórias podem gerar espaços de liberdade ou de escravidão, de responsabilidade ou dependência do poder. Vocês aprenderam de seus antecessores que somente com o uso de palavras de paz, justiça e solidariedade, que se tornaram críveis por um testemunho coerente, é possível construir sociedades mais justas e solidárias. Infelizmente, é verdade também o contrário.”

Segundo Francisco, na era da internet, “a tarefa do jornalista é identificar as fontes críveis, contextualizá-las, interpretá-las e hierarquizá-las” e citou como exemplo: “Uma pessoa que morre de frio na rua não vira notícia, mas se caem dois pontos na Bolsa de valores todas as agências falam disso.”

Dar voz a quem não tem

“Não tenham medo de inverter a ordem das notícias para dar voz a quem não tem, de contar boas notícias que criam amizade social; de construir comunidades de pensamento e de vida capazes de ler os sinais dos tempos.”

O Papa agradeceu aos membros da União Católica da Imprensa Italiana por trabalhar para isso, “com documentos como o Laudato si, que não é uma encíclica ecológica, mas social, e promove um novo modelo de desenvolvimento humano integral: vocês contribuem para torná-lo uma cultura partilhada, em alternativa aos sistemas que obrigam a reduzir tudo ao consumo”.

Por fim, Francisco convidou a entidade a seguir o exemplo de Manuel Lozano Garrido, primeiro jornalista leigo beatificado em 2010, que viveu nos tempos da Guerra Civil Espanhola, período em que ser cristão significava arriscar a vida.



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